sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

BPO Entrevista > Jornalista Monique Danello

Hoje o blog Brasil Potência Olímpica tem a honra de entrevistar Monique Danello, jornalista do Esporte Interativo que é um dos símbolos da conquista do mundial de handebol feminino.
Monique, exclusivamente cobriu a preparação da seleção brasileira para o mundial 2011, desde quando o grupo estava na Áustria até o término da competição no Brasil,com a presença de outros jornalistas. Em Londres 2012 a cobertura foi semelhante, preparação do grupo e matérias especiais, mesmo com o fato de a Tv Esporte Interativo não possuir os direitos de transmissão.

Para 2013, como a maioria sabe, Monique deu show na cobertura do título mundial, e em minha opinião (como a de muitos), interferiu diretamente sim no desempenho das atletas, pois em vários momentos proporcionou vídeos motivacionais para as jogadoras, como de familiares e de atletas de outras modalidades, o que certamente motivacionou e fortaleceu o ímpeto pela vitória por parte das jogadoras.

Desde já agradeço a atenção da grande jornalista e muito simpática, Monique Danello.

Eis as perguntas:

1- Quando foi escalada para cobrir o mundial de 2011, você conhecia/acompanhava a modalidade ou as informações sobre essa eram mais distantes de seu cotidiano ?

-Eu acompanhava o handebol, só que de forma superficial, não conhecia a fundo a história das atletas e nem a formação daquela seleção. Justamente por ter sido escolhida para cobrir o Mundial de São Paulo, fui escalada para viajar para a Áustria, em setembro de 2011, quando comecei minha relação com elas e passei a conhecer melhor cada uma das jogadoras e a comissão técnica. Foi fundamental para o meu trabalho no Mundial!

2- Quando chegou na Áustria para cobrir com exclusividade a preparação brasileira para o mundial do Brasil 2011, quais foram as reações das jogadoras, visto que não era comum uma cobertura jornalística desse tamanho em mundiais desse?

-Foi estranho para mim e para elas. É meio chato ter uma pessoa "estranha" inserida o tempo todo na sua rotina. Alguém que você não conhece e que, por ser da imprensa, parece que tudo que está vendo e ouvindo vai virar matéria a qualquer momento. Na minha cabeça, eu achava que elas pensavam assim. Eu me sentia super inconveniente, mas foi questão de poucos dias. Elas me receberam super bem!

3- No mundial do Brasil 2011, batemos na trave, em Londres 2012 idem. Emocionalmente, como foi para você e para a seleção estes reveses, e de que forma estes auxiliaram em desenvolver uma mentalidade vencedora no grupo?

-Para mim, como jornalista e torcedora, foi horrível. Fiquei mal, chorei, tinha certeza que elas podiam mais. Agora imagina para elas, foi uma dor imensa. Mas o importante é que essas meninas aprenderam com a dor e com a derrota. Elas cresceram muito, principalmente na parte emocional. E qual seleção top do mundo não perdeu um dia? Faz parte! Elas aprenderam a perder e vencer!

4- Até o momento, constantemente o handebol está na mídia, seja internet, televisão, revistas, jornais. Mas em sua opinião, essa atenção durará constantemente ou isso é um "fogo de palha" pela conquista? Será que se a medalha nas próximas competições não aparecer o apelo midiático continuará grande?

-Eu sou muito desconfiada, a memória do brasileiro é muito curta. Quando ganha, todo mundo aparece. Mas o importante é elas aproveitarem ao máximo todo esse espaço, e, o que posso garantir, é que o Esporte Interativo estará com a seleção sempre.

5- Realizando investimentos, com mais patrocinadores e com as principais estrelas da seleção voltando ao Brasil, é possível a Liga Nacional atingir o status de popularidade e sucesso de uma Superliga de Vôlei? Acha viável isso ocorrer?

-Acho bem complicado. A Superliga teve sucesso mas passa por muitas dificuldades, o atual campeão está sem patrocínio e vive uma situação caótica. A questão nem é só dinheiro, talvez. Na minha opinião, acho que não valeria a pena elas voltarem para o Brasil agora, porque elas precisam dessa experiência de jogar com a melhores atletas do mundo, nas maiores ligas do mundo. Isso foi muito importante para a evolução da equipe e ainda será para o Brasil se manter no topo. O Brasil não está preparado para receber essas meninas. Não conseguimos manter uma Superliga forte, mesmo com todas as conquistas e os anos de vôlei na mídia.

6- O "fôlego" desta geração (principalmente da Alexandra, Deonise, Dara, Dani Piedade) aguenta chegar em boas condições ao Rio 2016? E como será para o Brasil se manter no topo, agora que é a equipe a ser batida no mundo?

-Certamente elas aguentam. Elas trabalham todos os dias para isso, vivem longe de casa e da família pensando sempre no sonho de 2016. É importante dar continuidade ao trabalho do técnico Morten Soubak, colocá-las para jogar contra os melhores do mundo, testá-las, trazer meninas novas também, pensando na frente. Continuar na mesma linha!

7- Qual é a sua relação com o grupo da seleção? Visto que é uma espécie de amuleto da seleção, considerada pelo presidente da confederação de handebol também parte do grupo. (Comente sobre algum fato mais pessoal com as jogadoras e quais são as atletas mais próximas a você).

-Minha relação é bem próxima, mas também de muito respeito. Sempre respeitei o espaço e a vontade de cada uma, é normal que algumas se aproximem mais e outras menos. Gosto de todas e me dou bem com todas, cada uma do seu jeitinho. Trabalhei muito para conquistar a confiança do grupo e da comissão, isso é uma das coisas mais valiosas que tenho, profissionalmente. A Dara é a mais próxima de mim, uma grande amiga mesmo. Foi ela quem me ajudou muito na Sérvia, quando tive um problema de saúde grave. Ela ajudou a me socorrer, e o doutor Leandro Gregorut e a fisioterapeuta Marina Calister cuidaram de mim, como se fosse da equipe.
                                                (Monique posando ao lado de Dara com o caneco do mundial)

8- Nesse mundial você competentemente fez matérias especiais, trouxe inúmeras informações exclusivas, fazendo um grande trabalho. Mas também chorou, gritou,comemorou, enfim, extravasou as emoções como foi mostrado em imagens. Quanto o mundial lhe fez crescer profissionalmente e o que você sentiu ao ver o Brasil campeão mundial?

-Certamente foi muito importante para minha carreira, muita gente que não conhecia meu trabalho passou a me conhecer. Teve repercussão mundial! Foi importante para mostrar que eu coloco o coração em tudo que faço, e por isso me emocionei muito. A sensação? Saiu um peso das minhas costas, e olha que eu nem entro em quadra. Sei lá, eu só pensava: "Obrigada, meu Deus! Elas merecem muito!" Foi um dos dias mais felizes da minha vida!

2 comentários:

  1. A Monique é a melhor repórter esportivo da país, me fez emocionar e gostar ainda mais do handebol... e olha que nem a conheço pessoalmente, mas passei a admirá-la muito por sua simpatia, competência e beleza.

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    1. Eu também. Nós, telespectadores, perderemos muito sem ela e o André na cobertura do próximo mundial. A confederação precisa dar um jeito de chamar a Monique pra acompanhar a equipe.

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